navios de imigrantes italianos

Navios de imigrantes italianos: como descobrir em qual navio seu antepassado chegou ao Brasil

Entre 1870 e 1920, cerca de 1,4 milhão de italianos entraram no Brasil. Eles representaram aproximadamente 42% dos 3,3 milhões de imigrantes recebidos pelo país nesse período, segundo o IBGE.

Muitos chegaram pelos portos de Santos e do Rio de Janeiro a bordo de vapores procedentes da Europa. Hoje, parte dessas viagens pode ser reconstruída por meio de listas de passageiros, registros de desembarque e documentos das hospedarias de imigrantes preservados em arquivos públicos.

Encontrar o navio de um imigrante italiano pode revelar muito mais do que a data da chegada. Dependendo do registro, aparecem idade, profissão, parentes que viajavam juntos, nacionalidade, porto de procedência, destino no Brasil e até informações sobre o local para onde a família seguiu após o desembarque.

Imigrantes italianos chegando ao Porto do Rio
Imigrantes italianos chegando ao Porto do Rio

Como descobrir em qual navio seu antepassado italiano veio para o Brasil

O caminho mais eficiente não é começar procurando aleatoriamente nomes de navios. Primeiro, reúna tudo o que já sabe sobre o italiano e depois cruze esses dados com os registros de imigração.

  1. Anote o nome e todas as possíveis variações do sobrenome. Procure também pelo nome do cônjuge, filhos e irmãos.
  2. Estime o ano de chegada ao Brasil. Nascimento dos primeiros filhos brasileiros, casamento e óbito podem ajudar a delimitar o período.
  3. Descubra onde a família viveu primeiro no Brasil. Isso ajuda a estimar o porto pelo qual o imigrante entrou.
  4. Se a família foi para São Paulo, pesquise os registros da Hospedaria de Imigrantes e do Porto de Santos.
  5. Pesquise também o Porto do Rio de Janeiro. O imigrante poderia desembarcar no Rio e seguir posteriormente para São Paulo, Minas Gerais ou outro estado.
  6. Teste diferentes grafias. Nomes e sobrenomes podiam ser registrados de forma diferente daquela encontrada nas certidões da família.
  7. Quando localizar o imigrante, anote o nome do vapor, a data de chegada, o porto e o número ou página do registro.
  8. Procure a lista de bordo original. Quando necessário, também é possível solicitar uma certidão oficial de desembarque.

Esse procedimento costuma ser muito mais eficiente do que tentar descobrir primeiro qual navio trouxe a família.

Vapor SS La Bretagne
Vapor SS La Bretagne

Onde pesquisar listas de passageiros de navios italianos

1. Museu da Imigração de São Paulo

O Museu da Imigração do Estado de São Paulo é uma das principais portas de entrada para descendentes que procuram registros de imigrantes italianos.

O acervo reúne registros da antiga Hospedaria de Imigrantes, listas de bordo, cartas de chamada, documentos pessoais e outros materiais relacionados à imigração.

Os registros podem apresentar informações como nome, idade, nacionalidade, composição familiar, data de chegada e nome do vapor.

Um exemplo preservado pelo Museu mostra o italiano Pietro Colombo, de 49 anos, acompanhado de familiares e registrado após chegar em dezembro de 1891 no vapor Sud America.

Uma recomendação importante é pesquisar variações do sobrenome. A grafia registrada no desembarque nem sempre corresponde à forma usada posteriormente pela família no Brasil.

Italianos partindo para o Brasil em um navio (1910)
Italianos partindo para o Brasil em um navio (1910)

2. Arquivo Público do Estado de São Paulo

Para quem procura listas de passageiros que chegaram ao Porto de Santos, o Arquivo Público do Estado de São Paulo é uma fonte fundamental.

O acervo possui registros de passageiros desembarcados no Porto de Santos entre 1888 e 1978, além dos livros de matrícula da Hospedaria de Imigrantes, relativos ao período entre 1882 e 1973.

Dependendo da série documental, os registros podem informar:

  • nome;
  • idade;
  • sexo;
  • profissão;
  • nacionalidade;
  • procedência;
  • destino;
  • nome do navio;
  • integrantes da família.

Depois de localizado o registro, também pode ser possível solicitar uma Certidão de Desembarque emitida pelo Arquivo Público.

Vapor La Savoie, construído em 1854
Vapor La Savoie, construído em 1854

3. Arquivo Nacional e Porto do Rio de Janeiro

Não encontrar o antepassado nos registros de Santos não significa que ele não tenha desembarcado no Brasil.

O Porto do Rio de Janeiro foi outra importante porta de entrada da imigração europeia.

O Arquivo Nacional mantém registros de aproximadamente 1,3 milhão de passageiros desembarcados no Rio de Janeiro entre 1875 e 1910.

Além da base nominal, o Sistema de Informações do Arquivo Nacional, conhecido como SIAN, possui relações de passageiros de diferentes portos brasileiros.

Existem documentos referentes ao Rio de Janeiro, Santos, Recife, Paranaguá, Florianópolis, Salvador e outros pontos de entrada, embora os períodos disponíveis variem e existam lacunas documentais.

O Arquivo Nacional também permite solicitar certidões de desembarque com base em documentos preservados em seu acervo.

4. CISEI, banco de dados da emigração italiana

Outra ferramenta importante para a pesquisa é o CISEI, Centro Internazionale Studi Emigrazione Italiana, sediado em Gênova.

A base permite pesquisar emigrantes por nome e sobrenome e reúne informações provenientes de diferentes arquivos internacionais.

Para o Brasil, o CISEI incorporou, entre outras fontes, registros ligados ao Porto de Santos entre 1888 e 1912.

Para Gênova, há também informações extraídas de registros marítimos do século XIX.

O banco de dados reúne informações sobre milhões de emigrantes e pode ser especialmente útil para cruzar dados encontrados nos arquivos brasileiros.

Navio com italianos no porto de Santos (1907)
Navio com italianos no porto de Santos (1907)

5. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo

Descendentes de italianos que se estabeleceram no Espírito Santo devem consultar também o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo.

O estado preserva extensa documentação relacionada à imigração italiana, com nomes, localidades de origem, famílias e embarcações.

É nesse contexto que aparece o La Sofia, um dos navios mais conhecidos da história da imigração italiana no Brasil.

6. Portale Antenati

O Portale Antenati, mantido pelo Ministério da Cultura da Itália, não é propriamente uma base de listas de passageiros.

Sua utilidade aumenta quando a pesquisa realizada no Brasil fornece pistas sobre a cidade ou região de origem do antepassado.

O portal reúne milhões de imagens de registros civis italianos e pode ajudar a localizar nascimento, casamento e óbito do antenato.

Em muitos casos, a lista do navio fornece a pista inicial e o registro civil italiano confirma a identidade.

Principais navios de imigrantes italianos encontrados nos arquivos

É importante esclarecer que não existe uma única lista de navios que trouxeram italianos ao Brasil.

Centenas de embarcações fizeram essas rotas durante décadas. Um mesmo vapor podia realizar diversas viagens e transportar passageiros de várias nacionalidades.

Por isso, listas que apresentam cinco ou dez embarcações como “os navios dos italianos” simplificam demais a história da imigração.

Alguns vapores, porém, aparecem claramente documentados nos arquivos brasileiros:

Navio Ano Rota ou chegada Registro
La Sofia 1874 Vitória Chegou em fevereiro de 1874 com centenas de imigrantes, principalmente provenientes do Trentino e do Vêneto
Sud America 1891 Santos Registros da Hospedaria documentam famílias italianas chegadas pelo vapor
Italia 1895 Gênova para Santos Há lista de emigrantes embarcados em Gênova com destino ao Brasil
Orleanais 1902 Santos Registros da Hospedaria documentam passageiros italianos
Garibaldi 1923 Gênova, Nápoles, Palermo e Santos Há documentos de viagem e registros preservados pelo Museu da Imigração

Essa relação é apenas uma amostra. A quantidade de navios utilizados durante as décadas de imigração em massa é muito maior.

La Sofia: um marco da imigração italiana no Brasil

O La Sofia ocupa um lugar particular na história da imigração italiana no Brasil.

Segundo documentação preservada pelo Arquivo Público do Espírito Santo, a embarcação chegou ao porto de Vitória em 17 de fevereiro de 1874, transportando 388 imigrantes.

A viagem fazia parte da chamada Expedição Tabacchi.

Há uma precisão histórica importante. Muitos passageiros eram provenientes do Trentino, território que naquele momento fazia parte do Império Austro-Húngaro.

Por isso, aplicar automaticamente a nacionalidade italiana atual a todos esses imigrantes pode produzir erros em pesquisas genealógicas e de cidadania.

O La Sofia é considerado um marco do início da imigração italiana organizada e em massa para o Brasil. Isso não significa que nenhuma pessoa de origem italiana tenha chegado ao país antes de 1874.

Quanto tempo demorava a viagem de navio da Itália para o Brasil?

Não existia uma duração única para a travessia.

O tempo dependia da época, do tipo de embarcação, das condições do mar, do porto de partida e das escalas realizadas durante o percurso.

Nos vapores do final do século XIX e início do século XX, travessias de aproximadamente três a quatro semanas eram comuns.

Há viagens documentadas que permitem visualizar melhor essa duração.

O vapor Garibaldi, por exemplo, deixou Gênova em abril de 1923 com destino a Santos e escalas previstas em Nápoles e Palermo. Documentos preservados pelo Museu da Imigração registram uma viagem de cerca de 22 dias.

Por isso, afirmações genéricas de que todas as viagens da Itália para o Brasil demoravam 40, 50 ou 60 dias devem ser vistas com cautela.

Como era a viagem dos imigrantes italianos para o Brasil?

Grande parte da imigração popular acontecia em acomodações destinadas aos passageiros de terceira classe.

As condições variaram muito conforme a época, a companhia marítima e a embarcação.

Superlotação, más condições sanitárias e epidemias marcaram alguns períodos da grande imigração.

Durante a epidemia de cólera de 1893, por exemplo, embarcações italianas enfrentaram restrições sanitárias ao chegar ao Brasil. Entre elas estavam os vapores Remo, Andrea Doria, Vincenzo Florio e Carlo R.

O Carlo R. chegou ao Lazareto da Ilha Grande após registrar mais de uma centena de mortes durante a viagem, segundo pesquisa baseada em documentação histórica.

Isso não significa, porém, que todas as viagens tenham ocorrido nas mesmas condições.

Documentos do vapor Garibaldi, de 1923, mostram inclusive refeições previstas para os passageiros e diferenças de cardápio de acordo com a origem dos emigrantes.

De quais portos da Itália saíam os imigrantes?

Gênova teve enorme importância na emigração transoceânica italiana.

Com o passar do tempo, outros portos também aparecem com frequência nas rotas para a América do Sul, principalmente Nápoles e Palermo.

O itinerário do vapor Garibaldi em 1923, por exemplo, previa passagem por Gênova, Nápoles e Palermo antes da travessia em direção a Santos.

Jornais e documentos históricos também registram linhas regulares ligando cidades italianas ao Rio de Janeiro, Santos, Montevidéu e Buenos Aires.

Por isso, não presuma que todo italiano que veio para o Brasil embarcou em Gênova.

A região de nascimento do antepassado, o período da viagem e a companhia de navegação podem ajudar a identificar o porto mais provável.

Porto de Santos e imigração italiana

Santos tornou-se uma peça central da imigração italiana porque grande parte dos estrangeiros destinados ao estado de São Paulo desembarcava no porto da cidade.

Depois da chegada, muitos imigrantes seguiam de trem para a Hospedaria de Imigrantes do Brás, na capital paulista.

Ali eram registrados antes de continuar viagem para fazendas de café, colônias agrícolas, cidades do interior ou outros destinos.

A antiga Hospedaria recebeu mais de dois milhões de pessoas entre 1887 e 1978.

Essa passagem pela instituição explica por que tantos descendentes conseguem encontrar atualmente famílias inteiras nos registros preservados em São Paulo.

O que aparece em uma lista de passageiros?

As informações variam conforme a época e o tipo de documento.

Uma lista de passageiros ou registro de imigração pode apresentar:

  • nome e sobrenome;
  • idade;
  • sexo;
  • nacionalidade;
  • profissão;
  • estado civil;
  • parentesco entre passageiros;
  • porto de embarque;
  • porto de desembarque;
  • nome do navio;
  • procedência;
  • destino no Brasil.

Alguns documentos são muito detalhados. Outros registram pouco mais do que nome e nacionalidade.

Mesmo uma informação aparentemente pequena pode destravar uma pesquisa genealógica que estava parada havia anos.

Por que não encontro meu antepassado italiano na lista de passageiros?

Não encontrar o nome na primeira pesquisa é extremamente comum.

Existem várias razões possíveis:

  • o sobrenome foi registrado com outra grafia;
  • o prenome aparece em italiano em uma fonte e em português em outra;
  • a família entrou pelo Rio de Janeiro e não por Santos;
  • o imigrante aparece como integrante da família de outro passageiro;
  • o ano de chegada transmitido pela família está errado;
  • o registro não foi indexado corretamente;
  • o documento original não foi preservado;
  • existem lacunas na série documental pesquisada.

Outro ponto importante é a nacionalidade histórica.

Um antepassado nascido em uma região que atualmente pertence à Itália pode aparecer em documentos antigos como austríaco ou com outra nacionalidade, dependendo da época e das fronteiras então existentes.

Por isso, uma pesquisa eficiente combina sobrenome, idade aproximada, cônjuge, filhos, local de residência no Brasil e período provável de chegada.

A lista de passageiros informa a cidade onde o italiano nasceu?

Nem sempre.

Essa é uma das maiores dificuldades de quem finalmente encontra o navio do antepassado.

Muitas listas informam apenas a nacionalidade. Outras registram procedência, província ou local de origem. Em determinados documentos pode aparecer também a naturalidade.

Mesmo quando o comune italiano não está indicado, a lista pode fornecer pistas suficientes para continuar a pesquisa.

Se o documento mostrar idade, nome da esposa, filhos, profissão e ano de chegada, esses dados podem ser cruzados com certidões brasileiras, registros religiosos, documentos de estrangeiros e bancos de dados italianos.

É assim que muitas pesquisas passam do nome do navio para o comune de nascimento do antepassado.

Lista de passageiros serve para cidadania italiana?

A lista de passageiros pode ter grande valor para reconstruir a trajetória do antepassado e comprovar sua entrada no Brasil.

Arquivos públicos brasileiros também podem emitir certidões baseadas nesses registros.

Mas encontrar a lista de desembarque não substitui automaticamente os documentos de estado civil necessários em um processo de cidadania italiana.

Na maioria dos casos, a pesquisa continua até identificar corretamente o italiano, seu local de nascimento e os registros civis correspondentes na Itália.

A lista de passageiros deve ser vista principalmente como uma fonte histórica e genealógica capaz de fornecer dados importantes para chegar aos documentos definitivos.

Encontrei o navio. Qual é o próximo passo?

Anote todas as informações disponíveis no documento original.

Não fique apenas com o nome do navio.

Data de chegada, idade declarada, esposa, filhos, profissão, porto, procedência, destino e outros integrantes da família podem ser exatamente as pistas que faltavam para localizar o nascimento na Itália.

A partir daí, vale cruzar as informações com:

  • certidões brasileiras;
  • registros paroquiais;
  • registros de estrangeiros;
  • listas de passageiros;
  • Portale Antenati;
  • FamilySearch;
  • arquivos estaduais italianos;
  • arquivos paroquiais;
  • documentos dos comuni italianos.

Não encontrou a cidade de nascimento do seu antepassado italiano?

Em algumas famílias, descobrir o navio é relativamente simples. Em outras, é necessário cruzar dezenas de documentos, variações de sobrenome, registros brasileiros e arquivos italianos até identificar a pessoa correta.

A Bendita Cidadania realiza pesquisas genealógicas e buscas documentais no Brasil e na Itália.

Se você sabe o nome do seu antepassado italiano, mas ainda não conseguiu encontrar o nascimento ou descobrir de qual cidade ele veio, reúna todas as informações disponíveis sobre a família.

Nome do cônjuge, filhos, datas aproximadas, cidades onde viveram no Brasil e documentos antigos podem fazer a diferença na pesquisa.

Solicite uma pesquisa de documentos italianos

Perguntas frequentes sobre navios de imigrantes italianos

Como descobrir o navio em que meu bisavô italiano veio ao Brasil?

Comece pelos registros da Hospedaria de Imigrantes, Arquivo Público do Estado de São Paulo e Arquivo Nacional. Procure pelo nome e sobrenome, testando diferentes grafias. Ao localizar o registro, verifique o campo referente ao vapor ou consulte a lista de desembarque correspondente.

Onde encontro listas de passageiros de navios italianos?

Entre os principais acervos estão o Museu da Imigração de São Paulo, Arquivo Público do Estado de São Paulo, Arquivo Nacional, CISEI e diferentes arquivos estaduais brasileiros.

Existe uma lista com todos os italianos que vieram para o Brasil?

Não. Os registros estão distribuídos entre diferentes acervos, portos, períodos e bancos de dados. Também existem lacunas documentais e registros que ainda não foram digitalizados ou indexados.

Qual navio trouxe os primeiros imigrantes italianos ao Brasil?

O La Sofia, que chegou ao Espírito Santo em fevereiro de 1874, é considerado um marco da imigração italiana organizada e em massa para o Brasil. Isso não significa que pessoas de origem italiana não tenham chegado ao país anteriormente.

Quantos italianos vieram para o Brasil?

Segundo dados históricos reunidos pelo IBGE, aproximadamente 1,4 milhão de italianos entraram no Brasil entre 1870 e 1920.

Quanto demorava a viagem da Itália para o Brasil?

Dependia do navio, período, porto de partida e escalas. Em muitas viagens realizadas por vapores no final do século XIX e início do século XX, a travessia podia durar aproximadamente três a quatro semanas.

Meu antepassado não aparece em Santos. Onde devo procurar?

Pesquise também os registros do Porto do Rio de Janeiro e do Arquivo Nacional. Um imigrante poderia desembarcar em um estado e depois seguir para outro.

A lista de passageiros mostra o comune italiano?

Nem sempre. Muitas listas informam apenas nacionalidade ou procedência. O comune de nascimento frequentemente precisa ser descoberto por meio do cruzamento com certidões brasileiras e registros italianos.